31 de mar de 2010

Sina


Talvez seja essa minha sina, viver sempre ao redor do resto de tudo.
É sempre assim, nunca foi permitido a mim algo novo, vindo de fábrica, leve.
Tem sempre um quebrado, uma peça faltando, um passado.

Arquiteta de você


Um dia imaginei você assim, lua, noite, frio.
Você é sol, dia, calor.
Eu sou lua, noite, frio.
Ponderei então,
Encontrei até onde você foi
Projeção do meu pensamento.
Lua, noite, frio. 
Fui.
Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram...
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer...
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse:
"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"
Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não 'to' legal, não agüento mais birita"
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"É quase duas, eu vou me ferrar..."
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete,
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camêlo
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica era nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema "escola, cinema
clube, televisão".
E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser...
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar...
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz

30 de mar de 2010

29 de mar de 2010

Tipo isso..
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...
Os crimes atuais
São tão iguais
Aos de nossos ancestrais
Nós não evoluímos
Só andamos pra trás
Pobres de nós, Neandertais
As novas invenções
São armações
Empresas e religiões
Em busca de razão
Por não haverem razões
Os humanos e suas contradições
Neandertais, Neandertais (Crimes sexuais, Moralistas imorais)
Neandertais, Neandertais (Radares digitais e Crianças nos sinais)
Neandertais, Neandertais
Ainda somos iguais
Milhares de anos atrás
As penas capitais
Parecem mais
Torturas medievais
Na câmara de gás
A fila segue em paz
E ainda nos julgamos racionais
Neandertais, Neandertais (Emissários da paz, Assassinos seriais)
Neandertais, Neandertais (Conhecidos boçais, de outros carnavais) Neandertais, Neandertais
E aos maiores arsenais
O Prêmio Nobel da Paz
Homem das cavernas
Homem.com
Passeando no futuro da cyber-extinção
 Neandertais, Neandertais
Ainda somos iguais milhares de anos
 Ainda somos iguais milhares de anos
Ainda somos iguais milhares de anos atrás

27 de mar de 2010

A impunidade nesse país é tanta, que a condenação dos Nardoni até assusta.
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas de mais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não se vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com a minha solicitude, e se ela for excessiva saiba dizer-me isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba a minha fragilidade e não se ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu fizer um disparate o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo de mais.
Que o outro sinta quando me dói a ideia de perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez o seu medo ou a sua culpa.

Que se estiver numa fase difícil o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo: “Olha que estou a ter muita paciência contigo!”
Que se me entusiasmar por alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame ingénua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que quando me levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo atrás de mim reclamando: “Mas que maçada essa tua mania, volta para a cama!”
Que se eu pedir um segundo aperitivo no restaurante o outro não comente logo: “Livra, mais um?”
Que se eu eventualmente perder a paciência perder a graça e perder a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro – filho, amigo, amante, marido – não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não posso ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa"

Lya Luft

Oswaldo

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

25 de mar de 2010








E mesmo o simples gesto de brindar sua vida, a atormentava...


e tô achando bom, tô repetindo que bom, Deus, que sou capaz de estar vivo sem vampirizar ninguém, que bom que sou forte, que bom que suporto, que bom que sou criativo e até me divirto e descubro a gota de mel no meio do fel. colei aquele “Eu Amo Você” no espelho. é pra mim mesmo".

23 de mar de 2010

A democracia de massas, mesclada ao subdesenvolvimento cultural, parece "libertar" as mulheres. Ilusão à toa. A "libertação da mulher" numa sociedade ignorante como a nossa deu nisso: superobjetos se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. A liberdade de mercado produziu um estranho e falso "mercado da liberdade". É isso aí. E ao fechar este texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século 21? Será que fui apenas barrado do baile?

(A.J)
___ Menina, gosto desse seu jeito de ser direta,
      da falta de afetação, da simplicadade.
      E penso então que você vai-longe.

21 de mar de 2010

"eu te amo muito. Nunca disse, como você também não disse, mas
acho que você soube.
Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar.
Pena também que a gente se envergonhe de dizer,
a gente não devia ter vergonha
do que é bonito.
Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo,
e que então tudo vai ser mais claro,
que não vai mais haver medo nem coisas falsas.
Há uma porção de coisas minhas que você não sabe,
e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi
São coisas difíceis de serem contadas,
mais difíceis talvez de serem compreendidas
— se um dia a gente se encontrar de novo, 
eu direi delas, caso contrário não será preciso.Essas coisas não pedem resposta nem ressonância
alguma em você: 
eu só queria que você soubesse do muito amor
e ternura que eu tinha — e tenho — pra você.
Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém,
como você existe em mim.
Irmão

20 de mar de 2010

Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã,
e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?

19 de mar de 2010

Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia,
Atropela minha hora,
Despreza minha agenda.
Corre prepotente,
A disputar lugar com a ventania.
O tempo envelhece, não se emenda.

Deveria haver algum decreto
Que obrigasse o tempo a desacelerar
E a respeitar meu projeto.
Só assim, eu daria conta
Dos livros que vão se empilhando,
Das melodias que estão me aguardando,
Das saudades que venho sentindo,
Das verdades que ando mentindo,
Das promessas que venho esquecendo,
Dos impulsos que sigo contendo,
Dos prazeres que chegam partindo,
Dos receios que partem voltando.

Agora, que redijo a página final,
Percebo o tanto de caminho percorrido
Ao impulso da hora que vai me acelerando.
Apesar do tempo, e sua pressa desleal,
Agradeço a Deus por ter vivido,
Amanhecer e continuar teimando .

(FF)

18 de mar de 2010

Há Ficha?


Eu to esperando a ficha cair já tem um tempo.
É que comigo sempre foi assim, demora muito para que eu perceba que aquele tempo não volta mais, que aquela festa acabou e que nada será como antes.
Mas, eu ainda espero a ficha cair e então ter a consciência de não deixar nada passar, entender que as aulas daquela Escola assim como os alunos que por estudarem lá foram meus colegas de classe me farão falta, mesmo que seja pelo constante aborrecimento que me causavam.
Espero há tempos que essa ficha desmorone do ponto mais alto do meu ser e me acorde para a perda daquela amizade e me faça ir atrás daquela menina que um dia fora tão admirável.
To esperando a ficha cair e perceber que eu to numa sinuca de bico, onde agora só eu me acompanho, e que é preciso andar somente com minhas pernas, a ficha tem que cair, para que eu entenda que já não sou a menina de antes.
Não entendo muito essa constante despedida de nós mesmo. 
.
Quem sabe um dia , quando a ficha cair.

17 de mar de 2010

.


E aí, até quando deixará de ser você, até quando ficará parado esperando por alguém que te impulsione?Como diria Humberto, tá na hora de você fazer algo por você!
Sabe, eu sei que na maioria das vezes é você quem me acha estranha e não entende todas as minhas questões, mas eu ando um tanto confusa com suas teorias.
É certo que o que eu sei sobre você é apenas uma parte de um todo. E que jamais deixaria exposto suas fragilidades assim de graça.
Mas olha, nós já passamos por todas as etapas, já fomos desconhecidos, conhecidos, paqueras, paixão, amigos, companheiros. Não há razão em continuar achando que isso é um Jogo. Estamos em outro plano, e não há vencedores no final.
E só falo isso, porque me dói saber pouco do muito que fazes por aí. E me dói mais saber que você coloca todas suas atitudes em pretexto de estar ou não com alguém. Submeter seus atos em razão do outro é injusto . Injusto porque acaba atribuindo o outro a ser algo além de companheiro, amor ou qualquer denominação do sentimento.  Impõe que o outro seja sua consciência, tendo sempre que ponderar seus atos, transformando o outro em objeto de apoio, um projeto a Vigilante. E quando a pessoa de apoio não corresponder a suas vontades? Fará o que quiser sem pensar? Pensa, analisando , é puro egoísmo.
Cada um sabe de si, não é por estar com alguém que seus pensamentos mudaram.
Se queres  mesmo voar, é preciso criar asas.
Aprenda a dizer não, a poupar a alma, valorizar seus atos.
Banalizar a vida, não nos leva a lugar algum.
Os dias são lindos mesmo que quietos.
Seja você o responsável pela sua felicidade.
Beijos no coração.  
Mesmo que quieto.

Marina Rosa

14 de mar de 2010

Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

Elisa, aplausos.

13 de mar de 2010

Era um menino tão mau que só se tornou radiologista para ver a caveira dos outros..

Feia

Não te amei. E porquê? Porque não há em ti
A graça que perturba, o sorriso que enleia:
Porque eu sou cego, filha, e porque tu és feia;
Porque te olhei, amor, e porque não te vi.

Foste minha e -- vê lá! -- nunca te conheci.
A tua alma, tão bela e tão nobre, -- ignorei-a.
Quis beleza, frescura, -- e construí na areia:
Só comecei a amar-te, hoje, que te perdi.

Amor espiritual, amor sem esperança,
Amor que não deseja e, por isso, não cansa,
Amor contrito e puro, arrependido e triste...

Hoje estou convencido, ó minha gloriosa:
A paixão sem beleza é a mais perigosa;
O amor por uma feia é o maior que existe.

( JD)

Tempo.


O tempo é sempre vilão. Não acredito nessas teorias que com o tempo a pessoa amadurece, aprende , fica mais bonita, interessante e essas coisas ...
O tempo pra mim sempre foi carrasco, a começar pela vida simples que eu levava anos atrás , sem tantas preocupações e obrigações, com o tempo já não tenho tempo para ficar quieta observando os sons do dia.
Com o tempo aprendi que a ausência dele é cruel.
Eu que tenho tantos planos, temo por não ter tempo  em fazê-los.
O tempo carrega com ele arrependimentos e desilusões.
Quantas vezes conhecemos pessoas que no ato garantimos levar-las pelo resto da vida, sejam relações amorosas ou amistosas. Mas com o tempo, conhecemos melhor os devaneios do outro. E não, não somos seres capazes de lidar com as fragilidades alheias, queremos sempre o lado forte, intacto e esbelto.
O tempo nos torna egoísta.
Por vezes me deparei com histórias de amores perfeitos que desandaram.Sentimento infinito que contrariou todas as regras e teve um fim. As explicações são inúmeras, mas o tempo está lá rondando todas elas. E talvez esse seja um motivo do meu receio.
O tempo me causa medo.
O tempo não permite voltar atrás.
O tempo estreita relações
O tempo toma sua juventude em um gole só.
O tempo é um bêbado
O tempo não permite erros.
Um passo em falso e carregará para o resto de sua vida o escorregão.
E eu Tempo, o que sou? 


Ah-ah-ah ah-ah

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã
Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai
Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final.

( Pato Fu- Sobre o tempo)

12 de mar de 2010

Quase, clichê

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Isso não se faz.
que pena, amor.

11 de mar de 2010

O diferente aprendeu a mascarar seu deslocamento. Consegue muito bem sorrir e concordar. Apenas o mais perceptivo verá o ocasional olhar nublado, ou o suave e desprezante arqueamento de lábios. Todo deslocado se sente superior? No fundo, ele sentirá algo parecido. Mas sabe que superioridade não existe, pois melhor e pior fazem parte da cegueira. Secam, morrem e definham sob a luz. Diferença não é superioridade. Há compensações. Negativas e positivas. É possível ser profundamente pensador e profundamente sociável? A máscara pensa que sim. O demônio interior sabe que não.

A diferença leva ao isolamento. Ou o isolamento leva à diferença? Pergunta capciosa. Há alguma origem. É possível isolar uma variável? Felizes aqueles que possuem registros independentes das lembranças, sempre distorcidas pelo tempo. Havia a diferença. Nasce o isolamento. E inicia-se a retroalimentação.

De nada a lugar nenhum a vida leva, e um momento de despedida só pode evocar o fantasma do "e se?". Admirável como a mais tola de todas as perguntas, e continuará sendo enquanto não for possível retorcer o tempo, é também a mais evocada. Há um tênue limite entre a utilidade como aprendizado e o masoquismo pessoal. Definitivamente, não é às portas do inferno que se ficará no primeiro lado da linha.


Duelo de Escritores.
porque?

9 de mar de 2010

Pensando


__Pronto, acabei a formatação.. Posso instalar o Windows XP?
__ Instala Vista, baby

Ok, sei que muitas pessoas não vão entender a piadinha. 
Mas para os que entenderam, foi boa eu sei.

Sabe o que eu tava pensando?

Tava pensando em seguir a vida, sair por aí, pegar uma mochila e conhecer lugares.
Tava pensando em todas as coisas que penso em fazer, e não faço. 
Pensando em tocar viola, abraçar o irmão e ser menos inflexível.
Pensando em parar de pensar, deixar que a estrada aponte o caminho.
Pensando em conhecer a Islândia, viver como viking e dançar até os pés doerem.
Tava pensando em comer  sem preocupar com etiquetas e calorias, 
levar a sério minhas teorias, cantar minhas músicas e aprender a jogar poker.
Tava pensando em fazer trilha e ver o sol se pôr. Olhar as estrelas e ver o sol nascer. 
Não dormi três dias e hibernar uma semana.
Pensando em voltar a jogar Futebol, fazer minhas vontades.
Pensando em ir no show da Rita no Paraguai.
Pensando por fim em ser e estar .
Existir do modo mais leve
Para enfim, Voar.   

8 de mar de 2010

Grande irmão, Brasil!

Big Brother , tem até um objetivo massa: uma comunidade fechada com indivíduos da mesma espécie ,porém totalmente diversificados e alheios. Começar do nada, relações harmoniosas ou não e a partir disso criar formas de administrar os meios pelos quais consigam aliar ao modo mais seguro de jogo.Para que consigam o grande prêmio.
Mas, adaptaram isso ao Brasil, que como de costume tem sempre um jeito atípico de lidar com algo que seria totalmente construtivo para qualquer que seja a área.
O que vejo nesse último programa não é nada agradável. Ou talvez apenas não condiga com meu modo de vida. Falo então apenas como opinião própria e irrelevante diante da multidão enlouquecida pelos brothers.
Esses brothers conseguiram acabar com uma festa dedicada as Beatles, e isso é revoltante. Por isso parei um pouco para escrever o que penso sobre.

Primeiro que todos os participantes e o público não aceitam de forma alguma um jogador no jogo. Sim porque para entrar no Jogo do Big Brother , você não pode ser jogador, ou seja ,não se pode jogar.
“Eu voto no fulano, porque ele ta jogando e eu não curto muito esse tipo de atitude, ainda mais em um jogo .”
“Eu peço o público para permanecer na casa porque eu não estou jogando , estou de coração!”

Engraçado, né? Não, totalmente trágico.

Segundo, as mulheres que vão lá ou perdem a noção da vida, ou realmente são mulheres muito estranhas. Sobre isso nem comentarei muito, a ala masculina seria contra qualquer argumento meu. Então , sejam felizes com as imagens super simpáticas. Rs

Enfim , massa saber que 92.000.000 pessoas gastaram em média 1,89 reais para uma votação que é totalmente manipulada . Fazemos as contas

92.000.000 x 1.89 = ?

Um dinheiro massa, para salvar a fome de muitos brasileiros.
Fome alimentada pela ignorância .
Espero que em 2011 o BBB tenha saído de cena.

7 de mar de 2010

AN?


É inteiramente adventício escutar uma pessoa que é estranha a mim, 
definir-me ou tentar decifrar essa minha mutável mente.
O que não entendem é que talvez eu não tenha
explicação nenhuma diante ao meu modo de vida. 
Um erro pensar em determinar minha constante, 
eu sou uma variável com segundo grau. 
Apenas .


Marina R. Gontijo

2 de mar de 2010

Longe de casa a mais de uma semana, milhas e milhas distante.