29 de nov de 2009

Amor com letra maiúscula.

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Hoje escreverei simples, porque falarei de amor, mas amor apropriado,
daqueles que foram traçados na maternidade,
Amor simples que comove até o mais algoz dos seres.
É amor que harmoniza a vida, que emociona só de lembrar.
Parecem clichês, palavras que se lêem em todos os poemas, mas nesse não.
É amor de dádiva, que acolhe e transborda.
É sentimento que somente se encontra em um homem e uma mulher na vida,
os outros são fugazes , frutos de devaneios.
Não há um que se compare com esse,
é tanto sentimento existente pelo simples episódio de nascer,
amor que ensina os primeiros passos, e que assiste as primeiras quedas
É afeição, tesouro pra vida.
Nada de namorado, marido, amante, paquera.
Amor , aquele capaz de cometer loucuras
só mesmo o de Pai e Mãe. ..

Marina R. Gontijo Teixeira

24 de nov de 2009

sersó, sóser.

__ Só! sempre só! - Dizia o jovem
Essas palavras despertaram um eco doloroso no espírito de Bernard.Só.. só...
__ Eu também - respondeu, num impulso confidencial. __Terrivelmente só.
__Você também?- Jonh mostrou-se surpreso. __Pensei que no Outro Lado... É que Linda sempre dizia que lá ninguém jamais estava só.
Bernard corou,contrafeito.
__Você vê - disse,balbuciando e desviando os olhos . __ Eu acho que sou um pouco diferente da maioria das pessoas. Quando por acaso, alguém é diferente desde a decantação...
__Sim, é isso mesmo . - O jovem confirmou com sinal de cabeça .
__Se uma pessoa é diferente, é fatal que se torne solitária. A gente é tratado de um modo abominável. Acredita que eles me conservaram afastado de tudo, absolutamente tudo? Quando os outros rapazes foram passar a noite nas montanhas ( você sabe, quando a gente deve ver em sonho qual é o seu animal sagrado.),eles não consentiram que eu fosse com os outros, não quiseram me revelar nenhum dos segredos.
O que não me impediu que o fizesse sozinho.  
(Trecho do livro Admirável mundo novo).


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Pessoas inabitadas são solitárias e muitas vezes padecem com a angústia, no entanto são pessoas sutis. Entende-se por ser solitário aquele que tende a ser repudiado, padecido e muitas vezes esquecido. Todavia há entre esses seres infinitos paradoxos. Creio que o fato de ser só torna-os independentes, pessoas capazes de ir à luta independendo da precisão de alguém. Conseguem fazer o deserto de suas vidas enflorarem em triunfos justados.
Antes só que mal acompanhado, essa conjetura está ainda mais atém em mim quando pondero a orbe sórdida em que vivemos .
Marina R. Gontijo Teixeira


23 de nov de 2009

Saudade..


Ao mudar para Amsterdã senti os ímpetos de estar em terra desconhecida, faltou-me naquele instante chão. Logo eu, conhecida como durona sentia-me fraca, um ser jogado no Mundo. Foi difícil aprender a administrar a SAUDADE. Foi preciso que eu viesse a um lugar distante para crer que a nostalgia é coisa séria.
Nos primeiros meses vivi como se estivesse em um livro de memórias que diferente dos Beatles não rasguei os personagens do meu cartaz, pelo contrário estão juntos, intactos e imutáveis em mim. Revivo em meus pensamentos todos que fizeram parte da minha Sina.
Saudade, quanta saudade ainda sinto. Por onde andará meu amigo Helano?Será que ainda gripa no verão? Será que todas as noites o chocolate quente ainda está na cabeceira da cama? Ainda contempla o movimento do Zodíaco? Não sei.
Quanta falta me faz as conversas sem propósito nas tardes de sábado, as risadas, os lamentos. Só quem abandona seus laços compreende como o banal é admirável.  Aflição descobrir em outros linguajares que saudade não tem tradução.


Marina R. Gontijo Teixeira 



MINHA VIDA (IN MY LIFE)
(Original: John Lennon & Paul Mc Cartney)
(Versão: Rita Lee)

Tem lugares que me lembram
minha vida, por onde andei
as histórias, os caminhos
o destino que eu mudei
cenas do meu filme em branco e preto
que o vento levou e o tempo traz






22 de nov de 2009

esvaecer-me


Sempre me somem palavras quando subitamente me chegam com a funesta frase:
Quem é você? ...Discorra mais sobre você!
Tentam me desvendar, sentem tamanha precisão de codificar o meu modo de sentir a vida, mal sabem eles que nem mesmo eu sei o que me faz seguir assim. Entretanto às vezes por estima arrisco buscar termos que solidifiquem o que há de vasto em mim, mas em parte são minutos perdidos. Em maioria, por não compreenderem o que não se pode ser explicado, costumam interpretar erroneamente meus desígnios e isso me causa ânsias, padeço e acabo ultrajada – Javé que preguiça! Não haverá jamais quem perceberá o que usurpa em meu Sagrado.
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Ao terminar esses escritos, li por aí algo que me chamou atenção. Descobri que existe em mim um pouco/muito de Consciência Lunar.
Consciência Lunar: É toda aquela que não prioriza os padrões coletivos e pode até rebelar-se contra o convencional e repudiar o coletivo. Ela surge geralmente de forma compulsiva e irracional. No nível lunar a consciência mantém-se sempre livre, criativa e imprevisível.

19 de nov de 2009

Idealizei-te




Vim a terra e cá te busquei entre todos os caminhos, 
Fui além das estrelas a procurar-te,
Viajei léguas e atravessei alamedas oceânicas em busca de ti amor.
Narcotizei-me de esperanças, mais não me passaste de um sonho.
Não chegaste a me aparecer, a me falar, a me apreciar,
 Pena que tu não transpuseste apenas de um teimoso imaginar.

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18 de nov de 2009

Sobre o sono e para o Sono.


Estou caindo, não consigo manter meu corpo atento, há um peso sobre mim que me impede de apreciar o amanhecer.
Arrisco lutar contra essa força que me adormece, força poderosa que minha peleja não consegue dominar. Todo meu esforço em vão. Por fim permito-me ser vencida. Fecho as janelas do meu olhar, aos poucos sou subjugada. Deito no intento de me livrar dessa obsessão pelo sono .
Ainda tenho esperança no Acordar , penso que ao abrir os olhos estarei livre do marasmo, disposta e lépida, como nos velhos tempos de infância .
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“ Oneroso Senhor Sono, venho lhe pedir que por alguns dias o senhor faça uma longa viagem, que proporcione a minha pessoa momentos com sua ausência. Tenho certa precisão de passar um tempo acordada. Dormi demasiadamente durante muitos anos,esses sonhos não estão me levando a lugar algum, é hora de despertar. Sucinto sentir a vida transpor pelos poros, quero estar atenta a tudo. Por isso preciso que o Senhor se afaste de mim da forma mais rápida que puder. Aspiro que não se sinta rejeitado e garanto-lhe que nesse mundo há pessoas que passam noites e noites em claro desesperadas à espera que o Senhor as visite. Voe logo para quem te queira e me deixe contemplar o nascer do sol!. “ 

Marina R. Gontijo Teixeira

16 de nov de 2009

eu acho, eu acho.


Em meio a tecnologias ultra-avançadas, a moda e suas “tendências”, a tanta evolução.. me deparo com tantas improbabilidades.Entretanto o mundo hoje acomoda em suas infinitas partes a idéia de CERTEZA.
Faz-se do dia a dia uma sucessão de veracidades.
Sabe-se a qualquer hora como será o clima amanhã, se haverá chuva ou calor lazarento.
Outrora esperava-se o sol nascer, o vento tocar, para o sábio senil observar as estrelas, aos poucos é que se descobriam o dia e desvendavam a noite.
No entanto hoje, tudo é concreto de mais, a maioria das pessoas têm certeza de todas as coisas que as envolvem. Estão certos do que querem, confiantes. Todos, componentes de um sistema austero.
Particularmente, eu , alheia, não me permito ser consorte das certezas. Ter certezas plenas me impede de ir além, certezas confiantes são pérfidas.  Iludem até mesmo o mais válido dos seres. Certezas podem surgir para degradar o EGO. Apraz soberba.
Talvez seja esse o motivo da dicção “achar” estar tão presente em mim. Não consigo afirmar algo que não tenho total controle sobre, seria uma empáfia.


Eu acho que todos os meus pontos fundamentam-se na simplicidade.
Eu acho que ter fidúcia não aclama ninguém
Eu acho que ser é a melhor via. Ter nem tanto.    
Eu acho que
Acho eu que.
Que eu acho.
Eu quem acho. 

Marina R. Gontijo Teixeira


"Quem é dono da verdade
Não é dono de ninguém
Só não se esqueça que atrás
Do veneno das palavras
Sobra só o desespero
De ver tudo mudar"
(capital inicial) 



14 de nov de 2009

Ao Ninguém,


Sempre me disseram que os fins justificam os meios. Mas agora triste e abismada, percebo que nem sempre.
Tudo bem que o “resultado” é a soma das nossas escolhas, porém melindrada penso , como pode o ter sido o fim agourento se o meio fora tão contemplado .
O meio fora alegre, a felicidade freqüentava continuamente todos os nossos passos, o nosso ambiente foi edificado através de uma base consistente. Éramos pura gentileza.
O fim fora injusto, sem troca de palavras, as circunstâncias tomaram toda nossa reciprocidade, não pertencíamos mais a mesma atmosfera. Todo nosso esforço de edificação desmoronou sem que o Meio pudesse de alguma forma impedir a nossa queda, como se ele jamais tivesse existido.
E hoje ao me empurrar, meu corpo estável não caiu. Firme permaneci, algumas lágrimas ousaram solicitar permissão para cair, mas não, eu as prendi como quem prende o pior dos delinqüentes, dessas prisões perpétuas , para sempre ficaram guardadas , escondidas.Nessa altura do combate  elas não teriam o mínimo sentido.
Por mais triste, esse ímpeto acordou-me, de nada me adianta zelar pelo passado.
 Apenas tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu. Mas nem sei se perdemos juntos ou se juntos já não estávamos.
Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido, soam mais sensatas
Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.


 Marina R. Gontijo Teixeira


PS:    co-autoria de Fernanda.
         Essa é apenas uma carta para Ninguém .








7 de nov de 2009

Liberdade

 .


Tenho horror a prisões sejam elas físicas ou mentais.
Meu cadáver não nasceu para ser restrito.
Minha alma bebe da fonte Liberdade.
Clemência a aqueles que tentam me sufocar com a vida limitada.
Toda essa sujeição não me pega.
Anseio espaços, preciso de livre-arbítrio, sou pássaro que voa.
Não aspiro cruzar a brevidade da vida em um casulo.
Gosto de sentir a aura leve.
Meu bel-prazer.


Marina R. Gontijo Teixeira

6 de nov de 2009

Fim


Escrevo para um amigo, não esteio mais vê-lo em cordas bambas.
Escrevo para que sinta pelo menos por um momento um chão firme .
É certo que a vida é feita de finais. Um dia se inicia um projeto e em seguida será necessário terminá-lo, até porque muitas vezes as coisas que se estendem demais acabam por perder o sentido, transformando um sentimento ou um ideal em meras banalidades.
É difícil entender no ato os pontos derradeiros que a vida nos empurra garganta a baixo.
Engolimos muitos sapos, orgulho , cóleras e mais, tudo isso faz parte do processo existencial .
O fim de uma amizade, de um amor , de uma alegria  não significa que a vida acabou ali, há sempre outras coisas iniciando.É inevitável em alguns momentos colocarmos o ponto final em algo que não está nos fazendo bem, para que o tempo se encarrege de guardar as boas recordações e nos trazer novos ares. De nada adianta o desespero antecipado , apenas viva e tenha certeza há um mundo multicolorido à sua espera. Todos nós nascemos com um intento , somos laço, luz , lua.. 

Reaja amigo , porque ainda quero passar contigo muitos finais de dias, que não deixam de ser lindos por estar no fim , veja o pôr do sol que não me deixa mentir. Ele se põe da forma mais audaciosa deixando –nos sem reação diante do seu espetáculo.


  Marina R. Gontijo Teixeira



"Eu aprendi que o tempo é um mestre na arte de refazer as coisas.
Só o tempo nos dá a chance de ver que tudo é questão de tempo, mesmo...
Por isso, está em nossas mãos montar tudo de volta.
Com calma.
Porque nada se desfaz à toa.
Coisas novas precisam ser erguidas.
Mãos à obra, então!
Não tem jeito, o mundo desaba de vez em quando. Mas você não tem que desabar junto.
Sendo assim, quando você olhar em volta e ver que tudo já está no chão, o segredo é se manter de pé!"

4 de nov de 2009

Imprecisões


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 Vivo intensos conflitos, minha mente precursora de grandes motins,
concede ao meu adágio uma desordem, acabo sempre assim,
inexplicavelmente abastardada pelas grandes dúvidas da existência .
Marina R. Gontijo Teixeira


After all there’s only just the two of us
And here we are still fighting for our lives
Watching all of history repeat itself, time after time.
( Ozzy)

3 de nov de 2009

Mussolini

Um ser,um regime,uma filosofia, certo ou errado ele fez acontecer.
Um pouco, de "Benedito"( pra quem nãoentendeu o trocadilho)  Mussolini.



*- P:O que é exatamente o fascismo que o senhor fundou? 
 
-Mussolini: O fascismo é antes de tudo uma fé. O fascismo é uma grande mobilização de forças morais e materiais. 


- P:Qual é o ideal de vida dos fascistas? 
 
- Mussolini: A vida, tal como o fascismo a concebe, é grave, austera, religiosa. O fascismo despreza a vida cômoda, acredita na santidade e no heroísmo. Mais vale viver um dia como leão do que cem anos como carneiro. 

*- P: O Poder Judiciário deve ser independente? 
 
- Mussolini: Os fascistas controlam a maioria dos juízes no país. Os juízes sabem que são vigiados. Assim, o que não fizerem por lealdade a minha pessoa, farão por medo.  

*- P:Com liberdade, a imprensa não ajuda a apontar as contradições? 
 
- Mussolini: Atualmente, os jornais não servem a idéias e sim a interesses. Os jornais só publicam o que a grande indústria ou os bancos que os financiam querem que seja publicado. 



Benito Mussolini morreu em 1945. Não poderia, portanto, ser entrevistado agora, mais de meio século depois de seu falecimento. Esta entrevista, então, é obviamente falsa. No entanto, ela também é verdadeira, no sentido de que todas as frases atribuídas a Mussolini foram efetivamente escritas por ele, em seus numerosos discursos e artigos de jornal .


 

2 de nov de 2009

Bom senso




E no médio daquela psicose ouço a definição de bom senso, tê-lo é deixar de fazer algo por estar restrito. Vidas limitadas, dançando segundo a música social, todos nós ovelhas do sistema.
 Sistema que torna plausível a ponderação das ações, cunhando como produto final indivíduos reprimidos, abafados, contidos. Dominando o poder de percepção de tal modo que elimina qualquer intento de mudança, degrada e mortifica. /
Os não corrompidos e manipulados  que tentaram transformar de algum modo a sociedade foram julgados insanos e rapidamente acabaram submergidos
Sobrou nós, envolvidos nessa lama, sujando o futuro pela inércia do bom senso.




II
"Eu acordei, legal essa manhã
Manhã cinzenta e muito quente
Me lembrou, uma dos anos 60
Quando eu era um jovem cabeludo
Sem grana no bolso
Com muitos sonhos na cabeça
E sem rancor no coração
Vivia sentado nas calçadas
Sujando o jeans
Irritando as pessoas
Fazendo desordens
Oh yeah, mexa-se boy!"
(Made in Brazil)


Marina R. Gontijo Teixeira